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| Histórico |
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O Grupo Diógenes foi criado em oito de julho de 1964.
O nome foi extraído da história, onde Diógenes,
um filósofo grego, conhecido como "O Filósofo
Crítico", andava sempre com uma lanterna na mão
e a quem perguntasse o que buscava, respondia: "Estou a procura
de um homem de bem". Esse filósofo foi quem inspirou
um grupo de 50 pessoas, todos chefes de pessoal na época,
a criar em São Paulo, uma das primeiras associações
dedicadas à troca de idéias, informações
e experiências profissionais entre empresas de diferentes
segmentos. Nos 10 primeiros anos de sua existência o Grupo foi coordenado por:
Milton Monteiro (1964 a 1965),
Eduardo Gama Wright (1965 a 1966),
José Marcondes Beniamino (1966 a 1967),
Oswaldo Checcia (1967 a 1968),
H. Peter Quartiermeister (1968 a 1969),
Alberto Paulo J. Schlaich (1969 a 1970),
Milton Figueiredo (1970 a 1971),
Edgard Santos Pereira (1971 a 1972),
Saulo Pires Vianna (1972 a 1973),
Paulo Roberto Pereira da Costa (1973 a 1974)
O grupo, que é informal, até o final do ano de
2004 era formado por 60 profissionais que atuam como executivos
ou consultores na área de gestão de Recursos Humanos.
A partir de 2005, com as diversas alterações do
mercado e com o objetivo de se adaptar a essas novas condições,
sem perder sua história e suas tradições,
o grupo criou o Conselho que é formado de profissionais
que têm mais de dez anos de participação no
grupo e são ex-executivos de RH em empresas. Para a formação
do Conselho, também foram convidados ex-Coordenadores que
estão em atividades no mercado, porém, em consultorias.
Esse Conselho terá 20 membros e será um conselho
de membros vitalícios do Grupo Diógenes. Eles terão
a incumbência de fazer com que a chama que foi acesa há
40 anos de mantenha viva, ardente e não se apague nunca.
Além do Conselho, o grupo é composto de 45 profissionais
executivos de empresas na área de gestão de RH.

> A História do Grupo Diógenes quando completou 25 anos em 1988, e a Evolução do RH no Brasil.
Luiz A. Ciocchi
Coordenador do Grupo Diógenes na gestão de 1.988/l.989
Ao longo dos últimos 25 anos o Brasil assistiu a uma virada substancial na gestão das empresas brasileiras. Para conviver com a euforia do milagre, a dura realidade da recessão pós segunda crise do petróleo e o bombardeio de planos econômicos, congelamentos e dígitos inflacionários, entremeado pelo surgimento do movimento sindical, as cúpulas das empresas tiveram que se profissionalizar.
A concentração do poder e a direção altamente paternalista dos negócios deram lugar à administração descentralizada, ao planejamento e às negociações entre empregadores e empregados.
A mão de obra começou a deixar de ser um custo inevitável, para representar uma possibilidade de ganho a ser capitalizado. Este período histórico, dos mais ricos e movimentados da vida do país, foi vivido, analisado e enfrentado palmo a palmo, nestas duas décadas e meia, pelos homens que fundaram e consolidaram o Grupo Diógenes a partir de Julho de 1.964.
Amadurecidos por 25 anos de história, esses profissionais comemoram no aniversário deste ano o sucesso da sua participação informal, mas ativa, na evolução da política brasileira de recursos humanos.
De fato, a história da modernização da administração de recursos humanos no Brasil se confunde com a história do grupo Diógenes. Antes dele, nos anos 50, a preocupação com RH no país se resumia aos aspectos legais do contrato de trabalho. E para lidar com eles, a maioria das empresas usava a assessoria jurídico-trabalhista de escritórios de advocacia. O setor de pessoal inexistia ou tinha pouquíssima importância na economia das organizações. Era a época em que os profissionais que atuavam na área tinham o título de Chefes de Pessoal, e acupavam o 3º ou 4º degraus na escala hierárquica da administração empresarial. Sua função era tão restrita quanto o título: contratavam, despediam e calculavam as despesas com os empregados.
Segundo as memórias de Bernardo Gôngora, um dos fundadores do Grupo Diógenes, ex-chefe de pessoal e ex-diretor de relações industriais – o nome que o cargo teria nos anos 60 e 70 – foi a promulgação da Lei 605, instituindo o repouso semanal remunerado, no começo de 50, e a dificuldade de interpretação que ela suscitava, foi o que motivou os titulares de departamentos de pessoal a usarem os escritórios de advocacia. Por força dessa circunstância, ele lembra, começaram as primeiras troca de opiniões entre os gerentes de recursos humanos da época, primeiro para entender a lei e, depois para discutir as políticas de salários. Eles estavam empenhados nessas discussões quando a indústria automobilistica se instalou no país, e ampliou significativamente o campo de ação do homem de pessoal para as necessidades de recrutamento, seleção, treinamento, hiegene e segurança, serviços médicos e sociais e alimentação.
“A indústria automobilistica já chegou com planos prontos para essas áreas”conta Gôngora. “E com essa ventagem, e pagando mais, começou a roubar nossos ferramenteiros” Ele sentiu na prática o problema, porque chefiava o departamento de pessoal das Máquinas Piratininga.
A nova realidade, lembra, acabaria com o tempo em que o chefe de produção saia na porta da fábrica e contratava quem estava alí fora, esperando por um emprego.
Os chefes de pessoal começaram a fazer seleção, a perguntar porque demitir, a se interessar pela estruturação de cargos, planejamento de carreira e, principalmente pelas comparações entre quanto cada empresa pagava de salário. Para dar conta das novas atribuições tiveram que consumir a literatura especializada, produzida nos países mais desenvolvidos, e frequentar cursos e seminários que começavam a ser organizados por entidades empresarias ou de profissionais, entre elas, pela Associação dos Chefes de Pessoal, a ACP. Ela fora criada em 1.956, por sugestão do advogado Joaquim Mesquita Barros aos chefes de pessoal. Entre seus 30 sócios fundadores estavam Milton Monteiro, Jeronymo Augusto Barbosa Filho e Flávio Ugolini Schmidt, além de Gôngora, “Formamos uma panelinha”, diz Gôngora, “e graças a ela a ACP se consolidou e chegou rapidamente a 300 sócios”.
Com o rápido crescimento da entidade, e da heterogenidade dos profissionais filiados a ela, começou a ficar difícil, entretanto, o intercâmbio mais aberto das informações, particularmente para os representates das empresas maiores. A diferença de conhecimento entre os associados e o acesso diferenciado que eles tinham a determinadas informações estratégicas para suas empresas, como a política de salários, benefícios e de planejamento, passou a constranger a troca de experiência, pelo receio de quebra de confidencialidade.
Sensibilizado pelo problema, Milton Monteiro que presidia a ACP em 1.963, propôs à sua diretoria a formação de um grupo informal fechado, a ser integrado por profissionais com as mesmas condições de experiência e que participassem do mesmo universo empresarial, para a troca de informações em todos os níveis. A proposta de Monteiro, endossada por Gôngora e Schimidt, dava origem em 10 de Julho de 1.964 ao Grupo Diógenes. Flávio Schmidt sugeriu o nome do filósofo grego para batizar o grupo, em razão do objetivo comum que norteava cada um dos profissionais que o compunham: a procura e colocação dos homens certos nos lugares certos. Os profissionais que se dispuseram a integrá-lo estavam motivados pelas formações econômica, política e sociais que o país vivia na época, e partilhavam as mesmas preocupações sobre o papel que a administração de recursos humanos devia ocupar nas organizações mais complexas.
Desde os primeiros anos de sua existência, o grupo Diógenes reuniu algumas dezenas de profissionais que desempenhavam funções de alta responsabilidade na gestão de recursos humanos, nas maiores empresas brasileiras e multinacionais. Os membros do grupo acompanharam de seus postos o avanço da complexidade de suas organizações e o interpretaram profissionalmente. Nesse processo, saíram do 3º ou 4º degraus de hierarquia da empresa para ocupar a gerência, diretoria ou vice-presidência. Durante essa ascenção, substituiram a polivalência do antigo chefe de pessoal que concentrava as funções, pela profissionalização do ramo, concretizada nas equipes especializadas em direito trabalhista, segurança, higiene, assistência médica, alimentação, salários, etc, que passaram a coordenar. E, mais significativo, fizeram da habilidade para a negociação um requisito fundamental para o desempenho da função.
Estas mudanças, evidentemente não aconteceram de repente, e nem vieram simultâneamente. Na década de 60, conforme registram as atas das reuniões mensais do grupo Diógenes, os homens de recursos humanos estavam preocupados com a sua própria identidade profissional, e procuravam delinear o perfil do administrador de RH. Os problemas operacionais, de pagamento das horas extras, FGTS, limite de idade para admissões, trabalho dos menores e a utilização do computador para elaborar a folha de pagamento, ocupavam a maior parte do seu trabalho. A definição de programas de treinamento, segurança e medicina do trabalho e alimentação resumiam suas atividades de médio prazo.
A atuação do grupo Diógenes se desdobrou na década de 70 em realizações concretas nessas áreas.Como interlocutor permanente do Ministro do Trabalho Arnaldo Prieto, por exemplo, participou de todos os seminários e discussões, levadas em vários Estados brasileiros, para definir o programa de alimentação das empresas, que resultou na lei 6321, de incentivos fiscais. Colaborou decisivamente, na definição do programa de treinamento de recursos humanos, transformado na lei 6297. Foi do grupo também a sugestão de opção por 20 dias de férias e 10 em remuneração em dinheiro, quando a legislação ampliou para 30 dias o período de férias a que o trabalhador teria direito. As empresas representadas pelos profissionais do grupo Diógenes, por sua vez, foram as primeiras a adotarem os serviços de previdência privada como complementação do INPS, nesse período.
Paralelamente a discussão destas questões, o grupo passou a investir no estreitamento de seus conhecimentos sobre os tipos de empresas que representavam. Fez reuniões e visitas nas fábricas em que trabalhavam seus membros, para conhecer as regras e convenções de cada uma. Trocou informações sobre as políticas de salários, benefícios e de comunicação com os funcionários. E elaborou a idéia de publicação do house-organ, os jornais de empresa, para incentivar o envolvimento dos empregados com os acontecimentos de suas organizações. O saudável intercâmbio que o grupo instituiu entre os profissionais de RH motivou a criação de associações de profissionais de recursos humanos, conhecidas hoje como seccionais da entidade nacional, a ABRH – Associação Brasileira de Recursos Humanos. Os membros do grupo Diógenes participaram ativamente da formação da ABRH e da APARH – Associação Paulista de Recursos Humanos. A semente da disseminação dos grupos informais de profissionais de RH, que hoje somam 160 núcleos e se distribuem por todos os Estados brasileiros, também começou a germinar a partir do exemplo e do incentivo dos profissionais que fundaram o Diógenes. Até as pautas dos vários congressos de profissionais de recursos humanos organizados na década de 70 sairam das reuniões mensais do grupo e eram expressão de suas principais preocupações. Não poderia ser diferente, uma vez que o grupo Diógenes reunia a liderança da categoria profissional e exercia com o seu pioneirismo, uma influência particular na administração de recursos humanos no país.
Até o final da década de 70, porém, os profissionais de recursos humanos se limitavam a agilizar as condições operacionais para que as empresas pudessem realizar suas políticas de expansão industrial. Como diz o presidente da Rhodia, Edson Vaz Musa, entrevistado pelo Diógenes, a maior preocupação dos empresários nessa época, era com os ativos fixos produtivos. Os profissionais de recursos humanos, em geral, e os do grupo Diógenes, em particular, tiveram que chegar ao fim da década e ao conturbado ano de 1.978, para ver seu papel ganhar maior importância e espaço dentro de suas organizações. As negociações trabalhistas reais, que começaram a ocorrer esse ano, a partir das greves dos metalúrgicos do ABC, definiram este novo papel.
O Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Almir Pazzianoto, entrevistado pelo grupo Diógenes, comenta esse momento. “Não acredito”, diz ele, “que houvessem negociações produtivas, conclusivas ou expressivas, antes de 1.978... Eu frequentava a Delegacia Regional do Trabalho desde os anos 60, acompanhando os dirigentes de sindicatos de trabalhadores, na busca de alguma conversação. E essas tentativas geralmente, eram mal sucedidas. Ao invés de uma negociação, nós tínhamos um dissídio”.
A própria história do Diógenes confirma essa mudança qualitativa da função dos membros do grupo. Em 1.979, uma das suas reuniões mensais registrou em ata a primeira convenção firmada entre o Grupo 10 (das indústrias Químicas e Farmauceuticas da Fiesp) e a Federação dos trabalhadores do setor.
A participação nas negociações sindicais abria ao profissional de RH a possibilidade de influir na melhoria do relacionamento entre os funcionários e a direção das empresas e na elaboração dos meios de comunicação para que os empregados contribuíssem para o sucesso da organização. A virada coincidia com a expansão da área de influência do grupo Diógenes para outros Estados, entre eles: Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, algumas capitais do Norte e Nordeste e grandes cidades do interior do Estado de São Paulo, como Campinas e Santos, onde ficavam as filiais das empresas que tinham profissionais do grupo.
As questões nacionais de política econômica passaram a fazer parte permanente das reuniões do grupo Diógenes a partir daí. Seus mecanismos de consulta também foram organizados por um formulário onde seus membros respondiam como suas empresas iriam proceder na aplicação das novas politicas salariais. Desse período em diante as empresas que não tinham uma estrutura organizada de administração de RH começariam a se preocupar em formar as suas equipes, e as que já tinham se preocupariam em reforça-las com a figura do gerente de relações sindicais.
As relações trabalhistas passaram a ser encaradas como algo normal dentro do processo de desenvolvimento político e econômico brasileiro, e não como um distúrbio desse mesmo processo, e esta perspectiva determinaria a evolução do RH na década de 80. A administração dos recursos humanos passaria a significar a preocupação com a satisfação dos empregados. O cuidado com o clima organizacional se transformaria em critérios e normas de ação para os profissionais do ramo, e implicaria em novos treinamentos de gerentes e supervisores, para lidarem convenientemente com seus subordinados. As atas do grupo Diógenes, dos anos recentes, mostram esta mudança de enfoque nas relações interna das empresas. Elas analisam o movimento grevista como um todo, registram a preocupação do grupo com o aumento do grau de insatisfação geral dos assalariados, dão notícia das disputas entre sindicatos, das reinvindicações do pessoal mais qualificado como engenheiros e supervisores, e avaliam decisões da justiça e as paralisações com envolvimento político.
A proliferação dos grupos informais de discussão na área de RH foi outro indicador dessa mudança. Para os profissionais do ramo, o engajamento em algum grupo de discussão tornou-se obrigatório, por causa da nova dinãmica sindical e da aceleração da mudança nas tendências de comportamento das empresas. Com a expansão dos grupos específicos, compostos por pessoal especializado em recrutamento, seleção, treinamento, política salarial, etc. o predomínio dos grupos de profissionais de alto nível, procedente das grandes empresas, deixou de existir.
Na nova conjuntura das realações trabalhistas, inaugurada pelos anos 80, o homem de RH enfim conciliava suas preocupações técnicas da década de 70 com o seu papel estratégico e negociador e analista das mudanças sociais, políticas e econômicas. “Os impactos da conjuntura econômica na área de RH ocuparam o centro das discussões de 1.989 do grupo Diógenes” resumem seus membros.
Os anos 90 e as mudanças que eles trarão à área de RH são a atual preocupação do grupo. Reunindo profissionais de 65 empresas, que representam atualmente 350 mil pessoas, o Diógenes está atento ao futuro. Se os anos 70 assinalaram um período mais técnico, voltado para o desenvolvimento do profissional e para os programas de treinamento e benefícios ao trabalhador, e os anos 80 marcaram seu amadurecimento como negociador, a próxima década será fortemente pautada pela valorização do capital humano em geral.
E o grupo Diógenes acredita que criar as condições para o desenvolvimento pleno das capacidades de seus recursos humanos, através da comunicação interna clara e direta, e da participação de todos os envolvidos no processo produtivo, será o grande desafio de RH.
“Extraído da Revista que comemorou os 25 anos do grupo Diógenes em 1.988 .Gestão de Renato Pasqualini, 1987/1988”.
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